Filha de brasileiros era copilota do avião que caiu na Flórida e deixou 9 mortos; o que se sabe

Nathalia Gadelha Filgueiras, copilota.
    • Author, Redação e BBC News Mundo
  • Published
  • Tempo de leitura: 5 min

Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, era a copilota do jato particular que caiu na Flórida no domingo (1/11), deixando nove mortos, conforme confirmado pela CBS News, parceira de mídia da BBC.

Segundo reportagem do G1 e da CNN, Nathalia era filha de brasileiros. Ela pilotava aviões desde antes de saber dirigir um carro, tendo obtido sua licença de piloto aos 17 anos.

Nathalia acumulava mais de 1,3 mil horas de voo quando o jato particular caiu em uma área residencial na cidade de Greenacres, segundo relatos da imprensa americana.

"Mayday, mayday", disse ela, em uma gravação desesperada das comunicações com o controle de tráfego aéreo. "Vamos colidir contra o solo, 722 Bravo Delta."

"Mayday" é um sinal internacional de pedido de socorro por rádio usado em situações de risco iminente.

Minutos antes, ela havia informado que estavam lidando com a formação de gelo e que havia turbulência moderada. "Agora estamos entrando em uma zona de precipitação", acrescentou, solicitando permissão para subir.

Em seguida, a aeronave começou a cair em alta velocidade. Na gravação, é possível ouvir Nathalia dizer que o avião estava descendo, em determinado momento, a "10 mil pés por minuto" (cerca de 3 mil metros por minuto).

Em seguida, a copilota declarou uma emergência. "Estamos em uma situação de excesso de velocidade e descendo a 20 mil pés por minuto", grita ela.

Após alguns gritos, o controlador pergunta: "November 2 Bravo Delta, vocês me ouvem?". Mas não houve resposta.

Mapa de uma parte da Flórida com o trajeto do avião.
Legenda da foto, Mapa mostra o local do acidente, com a rota do voo até a queda, em Palm Springs perto de Mar-a-Lago e Aeroporto Donald Trump
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O Itamaraty ainda não foi procurado pela família até o momento e afirmou à BBC News Brasil que "permanece à disposição para prestar a assistência consular devida, caso solicitada".

Já o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB, na sigla em inglês), agência responsável por investigar acidentes de aviação civil nos EUA, ainda não divulgou o nome de nenhuma vítima até o momento.

No entanto, parentes das vítimas confirmaram as suas identidades ao longo da segunda-feira.

O empreendedor do setor de tecnologia Adam Robinson, natural do Texas, sua esposa Helen Sharp e seus dois filhos — Emma, ​​de 4 anos, e Charlie, de 2 — morreram no acidente, segundo um comunicado conjunto de algumas das famílias das vítimas.

A família descreveu o casal como "pais dedicados" e afirmou que os filhos eram "a luz de suas vidas".

Em sua página no LinkedIn, Robinson se descreve como fundador e CEO da RB2B e da Retention.com, e como CEO da Moltsets. Anteriormente, ele havia trabalhado na empresa global de serviços financeiros Lehman Brothers e no grupo bancário Barclays.

Também foram confirmadas as mortes de Rachel Reed, Charmi Fehr e Anita Maria Cetina.

Assista
Legenda do vídeo, Vídeo mostra queda de avião na Flórida

Em um comunicado conjunto, a família descreveu Reed e Fehr como pessoas "cheias de alegria e espírito aventureiro".

"Eles amavam as pessoas próximas a eles intensamente, plenamente e sem hesitação. Desde o momento em que se conheceram, dedicaram-se inteiramente um ao outro e à vida que estavam construindo", acrescentou o comunicado.

Não está claro qual é a relação deste grupo de pessoas com Robinson e Sharp.

O piloto do avião era Jeff Gregory, de 55 anos, segundo a East Coast Jets, uma empresa de fretamento privado onde ele trabalhou.

"Estamos profundamente entristecidos ao saber que o comandante Jeff Gregory estava entre as pessoas que perderam a vida no trágico acidente aéreo ocorrido ontem em Palm Beach", afirmou um porta-voz da empresa em um comunicado nesta segunda-feira.

Jeff trabalhou na East Coast Jets "por um breve período" em 2016 e 2017, informou o porta-voz.

Mapa mostra o trajeto do avião com os horários em que a aeronave fez contato com a central.

Causas do acidente sob investigação

O avião havia decolado de Austin, no Texas, e seguia para as Bahamas, informou a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) em comunicado.

O acidente aconteceu a cerca de 14 km de Mar-a-Lago, resort do presidente Donald Trump no condado de Palm Beach, por volta das 14h50 em Brasília (12h50 no horário local).

Naquela manhã de domingo, Trump estava em Mar-a-Lago. Ele deixou o local no avião presidencial, o Air Force One, cerca de uma hora antes do acidente, decolando de um aeroporto próximo.

Os dois tripulantes e os sete passageiros que estavam a bordo do jato particular morreram, e um homem que estava nas proximidades sofreu um ferimento na perna em decorrência do acidente.

O NTSB informou que investigará se partes do avião se desprenderam antes de a aeronave mergulhar de bico e explodir. O conselho declarou na segunda-feira que também investigará até que ponto a presença de gelo e a turbulência podem ter sido fatores contribuintes para o acidente.

Nathalia Gadelha em uma selfie em um avião.
Legenda da foto, Pelo rádio, Nathalia tentou pedir socorro, instantes antes do avião se chocar contra o chão

'Amava a liberdade'

A mãe da copilota Nathalia, Camila Corteleti, conversou com o jornal americano New York Times sobre a filha.

"Ela amava a liberdade", disse ao jornal nesta segunda-feira. "Era algo completamente diferente ver o mundo lá de cima."

A BBC tentou entrar em contato com vários parentes para confirmar a identidade de Filgueiras; uma das pessoas respondeu brevemente: "Não estou pronta para falar".

Em uma entrevista de 2023 a uma afiliada local da CBS News, Nathalia falou com orgulho sobre ter obtido sua licença de piloto ainda no ensino médio.

"Gosto de ser diferente de todo mundo", disse ela. "Algumas pessoas acham estranho que eu saiba pilotar aviões, mas não saiba dirigir um carro — quer dizer, até sei, mas muita gente acha isso engraçado."

À CNN, Camila Gadelha Corteleti, mãe de Nathalia, disse que a filha estava trabalhando no momento do acidente. Ainda segundo a CNN, a família é brasileira, mas mora na Flórida, onde Nathalia nasceu.

"Ela era uma menina muito boa, responsável, esforçada. Estava trabalhando. Ela era copilota; não podia tomar nenhuma decisão", afirmou a mãe.